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A IGREJA NO BRASIL E SEUS DESAFIOS D. Josias Dias da Costa, OSB. (E-mail: josiasosb@hotmail.com) A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, mais identificada pela sigla CNBB, foi criada a 14 de outubro de 1952 com o objetivo de facilitar o relacionamento, a troca de experiência, o apoio mútuo e a participação de todos os bispos em questões de interesse comum. Como organismo de comunhão, ela traçou para a Igreja do Brasil diversas ações conjuntas que culminaram no Plano de Pastoral de Conjunto (1966-1970), com seis linhas de trabalho e que hoje são chamadas de "dimensões": 1) comunitário-participativa, 2) missionária, 3) bíblico-catequética, 4) litúrgica, 5) ecumênica e de diálogo inter-religioso e 6) sociotransformadora. A Igreja no Brasil passou por anos difíceis a partir de 31 de março de 1964, quando um golpe de Estado instaurou uma ditadura de caráter militar que só se encerrou completamente com a promulgação de uma nova Constituição Federal (1988) e com a retomada da eleição presidencial (1989). Não por mera coincidência, a CBBB criou, também em 1964, a Campanha da Fraternidade, a ser celebrada durante a Quaresma e que a todo ano traz um tema para a reflexão das comunidades. Nos primeiros oito anos ela estava voltada mais para a sua própria organização e a campanha anual pôde tratar respectivamente de assuntos como os da renovação da Igreja, renovação da Paróquia, fraternidade, co-responsabilidade, doação, descoberta, participação, reconciliação e finalmente serviço e vocação. Em 1972, quando os Estados Unidos retiravam as tropas do Vietnan, o Brasil experimentava uma grande expansão econômica, com a construção da primeira usina nuclear, as grandes rodovias e um sistema de telecomunicações que levou a TV a cores a todos os recantos. Mas, ao mesmo tempo, o regime recrudescia com muitas prisões, torturas, desaparecimentos e mortes, sobretudo daqueles que apontavam as mazelas da concentração de renda, da violência contra camponeses e povos indígenas. Com isso, a Campanha da Fraternidade de 1973, chamou a atenção com o tema "Libertação". No ano seguinte "gritava" com o tema: "Onde está o teu irmão?". Daí em diante a reflexão voltou-se para assuntos como reconstruir da vida, repartir o pão (o lema do governo era: "Crescer o bolo"), comunidade, trabalho, um mundo mais humano, migrações, saúde, violência, vida, fome, terra, menor e negro. A partir de 1989, os conteúdos giraram em torno de comunicação, mulher, trabalho, juventude, moradia, família, excluídos, política, encarcerados, educação, desempregados, dignidade humana, drogas, povos indígenas, idosos e água, já estando programado para 2005 o tema Solidariedade e Paz, com o lema "Felizes os que promovem a paz". A Igreja no Brasil, através de seus Bispos, que se reúnem todo ano, tem uma grande quantidade de publicações que se dividem em documentos (série azul) e estudos (série verde). Os documentos tratam das diretrizes gerais da ação evangelizadora, do plano de pastoral, das inúmeras pastorais, dos sacramentos, da formação dos presbíteros e dos diáconos, dos problemas sociais, dos valores básicos da vida e da família etc. Contando com um total de 425 bispos, entre eles os eméritos, e 16.772 sacerdotes, 9.207 diocesanos e 7.565 religiosos (Cf. Pe. Antônio Antoniazzi, Leitura socio-pastoral da Igreja no Brasil), a Igreja enfrenta, atualmente, diversos desafios, entre eles o de se praticar a "nova evangelização" e a "inculturação", que os atuais documentos eclesiais vêm apresentando, nos últimos anos, como necessidade premente. Essa nova evangelização não se trata de uma mudança de conteúdo da verdade revelada, mas, como diz o atual arcebispo do Rio de Janeiro, D. Eusébio Scheid, de uma mudança de "sua roupagem ou tonalidade, de acordo com os tempos e lugares, os destinatários ou recipiendários" (A Voz do Pastor, in: Zenit, Serviço Semanal, de 09.11.2004). O desafio da inculturação, conforme os mais recentes documentos da Igreja no Brasil e em toda a América Latina, é colocar o Evangelho no coração das pessoas em cada uma das mais diferentes circunstâncias, sobretudo a da sociedade moderna, marcada pelo individualismo, consumismo, secularismo etc. Esse desafio exige dos que praticam a evangelização, a adoção dos meios modernos - linguagem apropriada, comunicação através do rádio, da televisão e da Internet - e um atendimento mais personalizado e voltado para as necessidades espirituais de cada indivíduo. Sem nunca, é claro, deixar de cuidar de todas as dimensões, especialmente a sociotransformadora, de grande relevância para uma sociedade com tão gritantes disparidades como é a do Brasil. (Kansas Monks, Atchison, Kansas, v. 6 n. 24 december 2004) |