AS QUATRO ESPÉCIES DE MONGES

 D.  Lenilson Moraes Rezende, OSB.

(E-mail: lenilsonmr@gmail.com)

"Monge" significa aquele que vive só ou, também, aquele que vive somente para Deus. São Bento classifica, em sua Regra, os monges de seu tempo em quatro espécies: cenobitas, anacoretas, sarabaítas e giróvagos

Primeiramente ele fala dos cenobitas, aquela espécie de monges que vivem numa comunidade, seguindo uma regra e conduzidos por um abade (pai). A regra vale para todos e em todo lugar. O abade é aquele que guia a comunidade, é o responsável pela adaptação da regra, de acordo com as condições mutáveis de tempo e lugar, e é ainda o pai cuidadoso e carinhoso que guia toda a comunidade para  a busca contínua de Deus.

Os monges cenobitas, os mais apreciados por São Bento, são provados, comunitariamente, por contínuos votos: obediência, estabilidade e conversão dos costumes.

A segunda espécie de monges é a dos anacoretas (aqueles que vivem sozinhos) ou eremitas (aqueles que vivem no deserto). São Bento aprecia também esta espécie de monges, pois a vida cenobítica nasceu originalmente da vida eremítica. O eremita ou anacoreta faz a busca de Deus sozinho, sem comunidade, sem regra e sem um guia ou abade. Mas a ele falta aquele Grande Bem indispensável para a completa entrega de si a Deus, a Santa Obediência.

Na vida comunitária torna-se mais intensiva e sincera a busca de Deus, enquanto que na vida eremítica corre-se o risco de cair no individualismo.

A primeira espécie  de monges detestada por São Bento é  a dos sarabaítas (=separados dos mosteiros). O que é menos apreciado nos sarabaítas é a falta de seriedade na busca de Deus – em vez de uma entrega total a Deus, há a conservação de uma mesma vida sem conversão. Eles vivem em dois ou três, sem exigir a consideração de um para com o outro e sua lei maior é o bem-estar individual.

Aos eremitas falta a obediência, mas aos sarabaítas faltam a obediência e ainda a conversão dos costumes.

A pior espécie de todos os monges é a dos giróvagos. São esses os monges vagueadores, passeadores e também conhecidos pela sua gula. Em sua vida errante, famintos e cansados de andar, esses monges se hospedavam três ou quatros dias em cada mosteiro. Eles se desviaram de seu  ideal primitivo e ficaram em tudo piores que os sarabaítas.

São Bento desejava fundar uma comunidade com a espécie mais corajosa de monges. Coragem e fortaleza são  as virtudes que devem caracterizar os seus monges: os de vida cenobítica.

(InFormAção, Vol. 3, Nº 9, Goiânia, Setembro 2001)

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