ECUMENISMO: O ESPLENDOR DO CRISTIANISMO

 D.  Josias Dias da Costa, OSB.

(E-mail: josiasosb@hotmail.com)

O Ecumenismo, fundamentado na idéia grega de união de todo o mundo habitado, que é o significado da palavra oikoumene, passou a significar, neste século, “a relação entre as diferentes Igrejas Cristãs (Católica, Ortodoxa e Protestante) ao nível teórico (discussões doutrinárias e pastorais) e prático (iniciativas comuns nas áreas pastorais, sociais e políticas).1

Quando essa relação se dá entre as Igrejas Cristãs e as religiões não-cristãs (judaica, islâmica, budista, hindu etc.), há o diálogo inter-religioso, através do qual cada parte tem algo a ser ensinado e transmitido. O diálogo visa o respeito mútuo; a busca de solução para os problemas comuns de ordem social, moral e político; e o esclarecimento das convicções de fé, evidenciando as diferenças e os aspectos comuns. 2

O ecumenismo é, entretanto, mais do que um simples diálogo religioso.

As primeiras tentativas de aproximação entre Católicos e Protestantes aconteceram nos séculos XVIII e XIX, quando o liberalismo europeu, marcado pelo secularismo, não só colocava em dúvida a legitimidade da Igreja, mas atingia os fundamentos da própria fé cristã.  Mas o ecumenismo veio a ganhar corpo e a se fortalecer a partir de 1910, quando missionários evangélicos, constrangidos com a divisão na Igreja, na tentativa de evangelizarem os povos, se reuniram em Edimburg (Escócia), para uma avaliação dos trabalhos na África e na Índia. Em 1948 foi criado o CMI (Conselho Mundial de Igrejas) e a partir do Concílio Vaticano II (1962-1965) a Igreja Católica começou a valorizar o ecumenismo, com o reconhecimento de que os dons de Cristo estavam presentes nos demais cristãos e em suas comunidades.   

O Ecumenismo tem como objetivos: reconhecer os outros cristãos como irmãos no Senhor; fortalecer a identidade de cada Igreja pela mútua conversão a Jesus Cristo; olhar para os elementos positivos existentes nas Igrejas e buscar a colaboração entre elas para este objetivo comum: a construção do Reino de Deus. 3

O Ecumenismo nos leva a orar com outras Igrejas, ao fim dos preconceitos e a uma prática pastoral em comum. É assim que tivemos a grata surpresa de poder vivenciar, neste ano de 2000, uma Campanha da Fraternidade ecumênica, preparada conjuntamente pelas Igrejas Católicas (Romana e Ortodoxa Sírion) e pelas Igrejas Evangélicas (Cristã Reformada, Episcopal Anglicana, Confissão Luterana, Metodista e Presbiteriana Unida). Elas se uniram para tratar de assuntos sobre a dignidade humana “ferida nos porões da vida” e “à luz do sol”.

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1.        Cf. Frei BETTO, Catecismo popular, p. 25

2.        Cf. Franco CAGNASSO, As grandes religiões,  p. 277-281

3.        Cff. Sebastião SOARES. Perspectiva ecumênica do CEBI, p. 5.

 (InFormAção, Vol. 2  Nº 2, Fev. 2000)

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