ELES FIZERAM A DIFERENÇA

 D.  Josias Dias da Costa, OSB.

(E-mail: josiasosb@hotmail.com)

Às vezes Deus faz cair por terra os nossos planos para fazer prevalecer os planos d'Ele.

Um exemplo disso aconteceu nos Estados Unidos, quando um jovem monge de 28 anos, D. Matthias Schmidt, nascido em Nortonville, Kansas, tinha sido preparado, pela Abadia de São Bento, da aconchegante cidade de Atchison, naquele mesmo Estado de Kansas, para lecionar na Faculdade Beneditina a disciplina da qual era mestre: Biologia Marinha.

Mas, enquanto isso acontecia, no dia 25 de janeiro de 1961, o Abade Cuthbert McDonald anunciou que a comunidade enviaria ao Brasil três monges para a fundação de um mosteiro. E D. Matthias se ofereceu a esta missão, juntamente com D. Otho Sullivan e D. Estevan Burns.

O plano era fazer a fundação em Gama, no Distrito Federal. Mas, por falta de interesse do arcebispo de Brasília, os três foram parar em Mineiros (GO), onde fundaram, no dia 26 de abril de 1962, o Mosteiro São José. D. Estevan e D. Otho voltaram aos Estados Unidos, mas D. Matthias ficou, acompanhado por outros monges, como D. Heriberto Hermes e D. Ralph Koehler, que vieram, ainda em 1962, e D. Eric J. Deitchman e D. Luke Wenzl, que chegaram em 1965.

Depois de dez anos em Mineiros, D. Matthias foi chamado ao Episcopado e, após quatro anos como Bispo Auxiliar da Diocese de Jataí, tornou-se responsável pela Diocese de Ruy Barbosa, Bahia. Logo ele se envolveu, na CNBB, com a Pastoral dos Migrantes e com grande coragem se colocou a serviço dos mais pobres e oprimidos. Ao lado de D. Pedro Casaldáliga e de outros bispos, se fez solidário aos oprimidos pelas ditaduras da América Central e outros países da América Latina. Isso o levou a dedicar-se a incessantes orações e jejuns. E foi num momento de oração que este biólogo marinho, seguindo o plano de Deus, veio a falecer, no dia 24 de maio de 1992, no mais árido sertão do Brasil.

Da mesma forma que D. Matthias, um outro jovem monge, D. Eric James Deitchman, que tinha sido preparado para lecionar Matemática, disciplina da qual era mestre, chegou a Mineiros, com 30 anos, para nunca mais voltar. O seu amor para com Mineiros foi à primeira vista. Ele acreditava e tentava nos ensinar que vivíamos no paraíso. Tornou-se logo apreciador entusiasmado do clima, do cerrado, dos rios, das cachoeiras, das frutas e de tudo que compõe o nosso bioma. Sua luta diária foi para que todos apreciássemos e usufruíssemos desses bens. Como ninguém ele soube integrar a sua espiritualidade profunda com a natureza. Era um atleta e sua vida cheia de dinamismo fez com que toda a cidade e toda a região do Planalto Central, com a ajuda dos irmãos, se dinamizassem também. No dia 11 de outubro de 1997, derrotado pelo câncer, ele partiu para o reino celestial.

D. Matthias e D. Eric foram, sem dúvida, dois homens que fizeram a diferença. Cada um a seu modo, doaram a sua vida e, numa atitude profética e de amor profundo,  buscaram transformar o mundo ao seu redor para que ele estivesse de acordo com o Reino de Deus.  

(InFormAção, vol. 3,  nº  11  Goiânia, Novembro 2001)

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