EM BUSCA DO JOVEM IDEAL

 D.  Josias Dias da Costa, OSB.

(E-mail: josiasosb@hotmail.com)

Nos últimos anos tenho me dedicado ao trabalho de apresentar a vida monástica beneditina como opção possível à juventude de várias cidades de Goiás e algumas de Mato Grosso, Mato Grosso de Sul, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo e Bahia.

Muitos costumam perguntar em minhas andanças por este Brasil afora: por que ser monge?  E a minha resposta tem sido uma outra pergunta: por que não ser monge?

Numa escola, em Barreiras, Bahia, um jovem fez-me esta pergunta: "Qualquer pessoa pode ser monge?". Eu disse-lhe, evidentemente, que nem toda pessoa pode ser monge. E disse-lhe o porquê, baseado num único argumento:

A vida comunitária beneditina baseia-se na oração e no trabalho.

Ora, há pessoas preguiçosas que não gostam de oração nem de trabalho.

Logo, essas pessoas, de modo algum, servem para a vida comunitária beneditina.

Mas, voltemos à questão: "Por que ser monge?' Convém ressaltar que ser monge é uma oportunidade para os jovens seguir mais firmemente a Deus, entregando-se totalmente ao seu serviço, no serviço ao próximo, em especial aos mais necessitados e sofredores: os pobres, os oprimidos, os doentes, os que não souberam ainda organizar e dar um rumo à sua vida e que se encontram desorientados ou sem esperança.

A primeira condição que tenho exigido para um jovem que manifesta algum interesse em ser monge é esta: ele tem que ser normal.

O mosteiro não é lugar de pessoas fracassadas, frustradas, esquisitas, excêntricas, exóticas ou extravagantes, ainda que certas pessoas, com pouco conhecimento da vida monástica, possam imaginar o contrário. 

É o caso de certas mães que vêem os filhos como um fracasso e querendo ficar livres deles, tentam enviá-los ao Mosteiro. Uma delas, quis que levássemos o seu filho, pelo seguinte motivo: "Ele não serve para casar-se". Eu disse-lhe que se alguém não serve para casar-se não serve também para ser monge ou sacerdote. 

Se há casos em que a mãe quer ficar livre do filho, há também aqueles em que o jovem quer seguir a vida religiosa para ficar livre da mãe. Um jovem do Tocantins telefonou-me querendo vir no mesmo dia:  "Eu quero ir logo, porque eu e minha mãe não nos combinamos. Ela não me entende!".  E eu disse-lhe para se entender com sua mãe e que o Mosteiro não é lugar para se esconder dos problemas. 

Quem é que pode então ser monge? Além do quesito normalidade, os jovens interessados na vida monástica precisam ser humanos, piedosos, humildes, fiéis e leais. É necessário que tenham senso de humor e estejam realmente buscando a Deus. Por isso, eu tenho observado a prática deles na comunidade em que vivem.  Eu não tenho indicado ao mosteiro os jovens que não sejam recomendados por suas comunidades.

Todas as pessoas têm suas limitações, seus problemas existenciais, decorrentes da vivência social e familiar, das perdas que sofreram etc. Por isso, o jovem ideal à vida monástica não é o jovem perfeito, isento de qualquer limitação, mas aquele que ao se lançar ao encontro de Cristo, coloca diante dele, com toda humildade e caridade, as suas limitações e os seus problemas na intenção de  superados. É assim que vivem as pessoas saudáveis. E a vida monástica é um estilo de vida destinado a  pessoas saudáveis, que buscam a própria santidade, que são capazes de infundir a esperança e que saibam acolher as pessoas que se aproximam do Mosteiro de todo coração e com toda a alegria, ajudando-as a ser mais felizes e mais santas.

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