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(E O TRANSFORMEM NUM ADULTO FELIZ) D. Josias Dias da Costa, OSB. (E-mail: josiasosb@hotmail.com)
Não somos como cabritos que ao nascerem se ajeitam em cima das pernas e logo estão andando para se tornarem, no ano seguinte, animais adultos. Quando nascemos, no ano seguinte ainda somos bebês e, como tais, completamente dependentes dos pais. Enquanto está sendo gerado dentro da mãe, o bebê se encontra totalmente ligado a ela e através dela consegue ter percepções do mundo externo. Ele vibra com as vibrações da mãe, angustia-se com as suas angústias, acalma-se com a sua calma, sofre com os seus sofrimentos, desespera-se com os seus desesperos, odeia com o seu ódio, envenena-se com os seus venenos, crê com a sua fé e ama com o seu amor. O que muitos desconhecem é que as mães, ao darem à luz, poderão ter bebês chorões ou bebês sorridentes. Isso vai depender muito dela e do pai do bebê. É comum ao recém-nascido (denominação dada ao bebê nas quatro primeiras semanas), chorar, gritar, ficar agitado. Afinal de contas ele está se recuperando do "trauma do nascimento". E como ele se encontra quase que exclusivamente em "órbita materna", é das relações iniciais com a mãe que vai depender o tipo de adulto que será. Uma mãe excessivamente autoritária fará crescer uma criança medrosa, tímida e introspectiva. Uma mãe excessivamente negligente fará crescer uma criança indiferente, triste e desconsolada. E uma mãe segura, dócil e compreensiva, terá uma criança perfeitamente afirmada e com personalidade marcante. (Cf. Antônio Xavier Teles, Psicologia moderna, São Paulo Ática, 1975). O bebê, ao sair de dentro da mãe, identifica-se com ela, que lhe dá atenção e a disciplina que lhe proporciona segurança. Mas, ao se dedicar totalmente a essa tarefa, a mãe sofre desgaste físico e emocional, necessitando que o marido exerça também a mesma tarefa que ela cumpre diante do bebê. Doutra forma, ela seria vítima de esgotamento, "ficando exposta ao desequilíbrio físico e mental" (John Billings, Amar de corpo e alma, São Paulo, Edições Paulinas, 1982). Com o tempo, o bebê vai estabelecendo uma relação mais pessoal com o pai. A menina o reconhece como a pessoa "que lhe proporciona cuidados e provê a família com sua autoridade" (ibid.). Enquanto isso, o menino começa a identificar-se com ele, tratando de imitá-lo. O pai e a mãe de um menino ou de uma menina com três ou quatro anos tornam-se um espelho para eles, dentro de casa. Se a criança, nesta fase de identificação, olhar para o seu espelho e ver nele um sinal de equilíbrio, isso lhe trará satisfação. Mas, se por outro lado, olhar para o espelho e ver nele um monstrengo, ela se sentirá frustrada e sua existência tornar-se-lhe-á um peso brutal. O pai e a mãe são os principais responsáveis pela formação da personalidade do adulto que a criança um dia será. Mas também são eles os principais responsáveis pelas deformações. Se o pai e a mãe esquecerem as suas funções e se tornarem o diabo do filho isso será assustador, uma vez que, ainda que algum dia estejam mortos, os seus fantasmas continuarão a assustar. E em vez de adultos felizes, teremos, sempre, nos corpos dos adultos, os bebês chorões. (InFormAção, vol. 4, nº 4, Goiânia, Abril 2002)
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