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MARIA: NOSSA MÃE EXCELENTÍSSIMA! D. Josias Dias da Costa, OSB. (E-mail: josiasosb@hotmail.com)
Maria foi uma mulher muito especial na história da salvação e na história pessoal de cada um de nós cristãos. Não tanto pelo mérito que recebeu, que foi único em toda a história – o mérito de ter concebido, gerado e dado à luz o salvador do mundo – mas pela sabedoria com a qual ela soube enfrentar e lidar com este mistério. A mensagem do anjo a Maria - "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!" (Lc 1,28) - a deixou intrigada, mas ao mesmo tempo a levou a pensar. Maria sempre foi uma mulher que pensava, por isso buscava o sentido das coisas e nessa busca encontrava esclarecimento. E a tomada de consciência das pessoas as coloca muitas vezes diante de situações que as levam a tomar decisões muito difíceis. Mas o mesmo Anjo anunciador da graça é o mesmo que anima e esclarece: "Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça diante de Deus" (Lc 1,30). A notícia que o Anjo trouxe a Maria envolvia um mistério tão profundo, que ela precisava de ajuda para entender e de força divina para poder lidar com ele. Afinal de contas o que Deus reservou para ela era grandioso demais para a sua compreensão: ela seria a mãe do "Filho do Altíssimo", que receberia de Deus "um trono" e reinaria "eternamente" (Cf. 1,31-33). Maria foi uma mulher esclarecida e corajosa, que não se deixou dominar pelo medo que todas as pessoas sentem. Ela teve dúvidas e teve medo, sim, mas não se deixou intimidar. Não se acovardou. Para que tudo ficasse claro ela levantava questionamentos: "Como é que vai ser isso?" (Lc 1,34). Vendo-se diante da grandeza do mistério ela se lançou por inteiro em seu interior. "Eu sou a seva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). E foi mergulhando no mistério de Deus que se realizou nela o mistério da encarnação. E assim a Palavra que estava com Deus e que era Deus e pela qual tudo se fez (Cf. Jo, 1,1-3), chegou até nós, para habitar entre nós (Cf. Jo 1,14). Essa mulher, anunciada no Antigo Testamento (Is 7,14), como ninguém no mundo dignificou todas as mulheres que em todas as épocas fizeram ressoar diante do mundo o seu grito de libertação (Cf. Lc 1,46-55). Essa nova Eva disse sim a Deus e se dobrou diante dele para fazer a sua vontade. Ela se desinstalou, colocando a sua vida num estado de itinerância, inteiramente ao serviço do Todo-Poderoso e dos pequenos de quem ele é Deus. Em sua trajetória ela teve que guardar muitas coisas - algumas agradáveis e outras muito duras - no coração (Cf. Lc 2,19.51). Em Caná ela apontou a todos o seu Filho: "Façam tudo o que ele mandar" (Jo 2,1-5). E aos pés da cruz, ela recebeu do Filho o encargo de uma nova maternidade: "Mulher, eis aí o teu filho!" (Jo 19,26). E foi ali também que Jesus apontou ao discípulo amado, aquela que ele quis deixar para nós antes de entregar sua vida: "Eis aí a tua Mãe!" (Jo 19,27). E que Mãe excelentíssima ele nos deu. Por que não se alegrar por essa Mãe que praticou a fé "em seu mais alto grau" e que, no silêncio, foi quem "mais alto falou do amor de Deus"? (InFormAção, vol. 4, nº 5 Goiânia, Maio 2002)
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