O CHAMADO DE DEUS

 D.  Josias Dias da Costa, OSB.

(E-mail: josiasosb@hotmail.com)  

                                                                  “Segue-me” (Mt 9,9).
“Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).

Todos nós somos chamados por Deus, que nos interpela, que nos convoca todos os dias, desde o momento em que fomos gerados. No ato da criação, Deus nos fez à sua própria imagem e nos comunicou a vida através de um sopro (Cf. Gn 2,7). Nós somos o sopro ou o hálito de Deus e nossa primeira vocação é viver segundo a imagem e semelhança daquele pelo qual fomos engendrados.

Jesus nos diz sem rodeios: “Sede perfeitos, como o Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Nós fomos feitos a partir da argila, precisamos de cuidados, porque a argila quebra facilmente. Mas enquanto estivermos nas mãos do Oleiro estaremos protegidos, porque ele trabalha todos os dias para dar uma forma perfeita à sua obra-prima (Cf. Is 64,7). E essa perfeição só conseguiremos atingir quando alcançarmos a plenitude, quando formos glorificados por Deus, recebendo d’Ele a coroa da justiça, pela nossa fidelidade a Ele (Cf. 2Tim 4,8 e 1Pd 5,4).

Para sermos fiéis ao plano de Deus, para correspondermos plenamente à nossa vocação cristã, temos que, diariamente, dizer sim a este chamado de Jesus: “Vem e segue-me”.  Seguimos Jesus quando somos verdadeiros adoradores do Pai, quando nos deixamos que Ele tome conta de nós, que Ele aja em nós, que Ele nos mova, que Ele nos transforme e faça a sua vontade em nós. O seguimento a Cristo e ao seu plano de amor, nos leva a esta consciência a que chegou o apóstolo Paulo: “Vivo, mas já não sou eu, é o Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

Seja no exercício da paternidade, da maternidade, da juventude, da vida estudantil, da vida profissional ou da produção intelectual, artística, científica e tecnológica, não importa o papel que cada um tem na sociedade, todos somos chamados a ser testemunhas vivos do Cristo ressuscitado, conforme seu último desejo antes de subir aos céus, quando nos diz para ir até os confins do mundo para ensinar o Evangelho em toda parte e fazer com que todos sejam salvos (Cf. Mt 28,15-20 e At 1,8). 

Dentro da Igreja, formada por muitos carismas ou serviços, cada um é chamado a fazer a sua parte ou a exercer o seu ministério (Cf. 1Cor 12,4-11). Há as mais variadas pastorais necessitando de agentes; há celebrações litúrgicas necessitando de leitores cada vez mais aprimorados,  de músicos que coloquem seus instrumentos e as suas vozes a serviço do Reino de Deus; há paróquias e comunidades necessitando de ministros extraordinários, de diáconos e presbíteros (padres); há congregações e ordens religiosas necessitando de pessoas que queiram servir a Deus através de uma vida consagrada. E entre essas há a vida monástica para aqueles e para aquelas que sentem o chamado de Deus a viver uma vida de oração e trabalho, sobretudo de serviço à comunidade, seguindo o ideal de São Bento, que nos diz em sua Regra: “Em tudo seja Deus glorificado”(RB 57,9; Cf. 1Pd 4,11).   

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