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O ESPÍRITO QUE ABRASA O CORAÇÃO D. Josias Dias da Costa, OSB. (E-mail: josiasosb@hotmail.com) Com a morte do Mestre e sua descida à "mansão dos mortos", os discípulos ficaram meio atordoados e sem saber o que fazer. Parecia-lhes que a missão, que mal havia começado, tinha chegado ao fim. O que eles não haviam entendido é que Jesus tinha de descer aos Infernos para tomar as chaves das mãos do Diabo e levar com ele, para a "mansão dos vivos", os justos que lá estavam aguardando o dia feliz da libertação (Cf. Mt 27, 52-53; Jo 5,25; Hebr 2,14-15; Ap 1,18). Ninguém quer a morte. Ela traz dor, sofrimento, desolação, tristeza. Mas Jesus não fica e nem deixa os justos presos no reino da morte. Sua ida ao Hades provoca um abalo profundo no reino das trevas de onde ele sai vitorioso, mostrando que nenhuma força da natureza ou dos poderes deste mundo está acima dele. A Páscoa é a festa da vitória do Cristo sobre a morte e de todos os sinais de morte expressos nas atitudes dos que vivem na escravidão do pecado, acorrentados pelo egoísmo, pela inveja, pelo ciúme, pelo ódio, pela corrupção, pela mentira etc. Ao ressuscitar em seu corpo glorioso, Jesus se coloca no meio dos discípulos. "Maria!" – diz ele para consolar e alegrar aquela mulher madrugadora de Magdala, que chorava à porta do túmulo (Jo 20,16). "De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes?" – pergunta ele aos dois discípulos a caminho de Emaús, a quem vai explicar-lhes a Escritura e deixar-lhes abrasados os corações (Lc 24,13-32). "A paz esteja convosco" – diz aos discípulos amedrontados para mostrar-lhes que devem continuar a missão agora com a força do Espírito Santo (Jo 20,19-22). Oito dias depois ele repreende Tomé que não quer acreditar no anúncio feito pelos companheiros (Cf. Jo 20-29). E mais uma vez se coloca entre aqueles que voltavam a pescar, no mesmo lugar em que tinham sido um dia chamados (Cf. Mt 4,18-22), para comer com eles, mostrar a Pedro o que ele teria que enfrentar e dizer-lhe definitivamente após este dar provas de seu amor: "Segue-me!" (Jo 21,1-19). Desde a Páscoa até a Ascensão são quarenta dias e daí para Pentecostes são mais dez. O Cristo ressuscitado no tempo pascal, seja andando, falando ou comendo com os discípulos, tenta botar as suas cabeças no lugar e os seus pés no chão. Censura-lhes a incredulidade e a dureza de coração e, por fim, ordena-lhes: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado" (Mc 16,14-16). Ainda na Ascensão dois homens de branco vêm dar um impulso à Igreja nascente dizendo aos fiéis extasiados: "Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu?" (At 1,11a). Com isso, os discípulos descem do monte e esperam o dia de Pentecostes, o dia em que Jesus lança fogo à terra, para realizar seu desejo (Cf. Lc 12,49). É este fogo ardente do Espírito Santo que abrasa os nossos corações e nos impele à missão que Cristo nos confiou. É este Espírito que nos tira de nossos esconderijos e nos faz tocar o barco para frente, para denunciar as querelas e as mazelas dos que perseguem, ferem e matam. E é só neste Espírito que podemos dizer: “Jesus Cristo é Senhor”. (InFormAção, Vol. 3 Nº 4, Goiânia, Abril 2001) |