O PODER DE DEUS E SUA EFICÁCIA

 D.  Rodrigo Perissinotto, OSB.

(E-mail:  perissinott@cultura.com)

“Pai pequei contra Deus e contra ti e já não mereço mais ser chamado teu filho” (Lc 15,21). Este trecho do evangelho de são Lucas tirado da parábola do Filho Pródigo ilustra uma atitude de arrependimento. O filho que abandona a casa paterna, nega sua filiação, perde todos seus bens, entre eles sua própria dignidade, se arrepende e decide voltar ao Pai. Ao chegar em casa, confessa o mal que fez e o pai antecipando o pedido de perdão o acolhe com grande festa.  

Assim acontece também com o Cristão que em sua fragilidade peca. Ao notar a ofensa cometida contra Deus, contra o próximo, contra si próprio, se arrepende e decide pedir o perdão. O sacramento da confissão é o meio pelo qual Deus se aproxima do pecador para dizer-lhe que ainda é tempo de conversão e que o acolhe como um filho muito querido que volta para casa.

Alguns elementos são importantes no sacramento da reconciliação,  entre estes a consciência do mal cometido, o arrependimento e o desejo de repará-lo.  Daí confessá-lo a um sacerdote e receber a absolvição. Nos primórdios do cristianismo,  a confissão era feita à comunidade reunida, a qual ouvia e perdoava por intermédio do sacerdote. Mas surgiram alguns inconvenientes em tal prática. Algumas pessoas não eram suficientemente maduras, não entendiam o sentido profundo do sacramento (o pecado uma vez confessado e absolvido não mais existe), não eram capazes de perdoar e o pior não sabiam guardar a língua. Já se pode imaginar o falatório. Por isso na Irlanda a Igreja introduziu a prática da confissão auricular ou individual.

Na confissão individual o cristão acusa seus pecados ao sacerdote de forma particular. O Sacerdote pelo poder a ele conferido pela Igreja ouve o fiel, não o julga, o orienta para a prática do bem e Deus por seu intermédio perdoa os pecados. Por respeito à pessoa, por saber que se Deus perdoa, o mal anterior deixa de existir, o Sacerdote tem a obrigação do segredo de confissão, o que foi dito no momento do sacramento permanece lá. 

Por motivos pastorais, surgiu também na Igreja a prática da confissão comunitária mas não mais como no início da Igreja. Quando pelo grande número de fieis que desejam receber o sacramento o sacerdote não tem condição de ouvir a todos individualmente, a comunidade celebra o sacramento comunitariamente. Em tal prática o sacerdote convida os fieis ao exame de consciência, onde cada um em silêncio recorda seus pecados e pede a Deus perdão. Quando findo o exame de consciência os fieis como um todo recebem a absolvição de seus pecados. No entanto àqueles que têm pecados graves se aconselha a confissão individual.

Tanto a confissão individual como a comunitária são eficazes no perdão dos pecados. No entanto, não se deve abandonar a confissão individual com a justificava de que seja mais cômoda a comunitária. A confissão individual tem a vantagem de que o fiel pode ouvir do sacerdote uma palavra de ânimo e de esperança dirigida a ele em seu caso particular.

O perdão de Deus nos liberta e abre a nós a perspectiva de uma vida mais feliz junto dEle.

(InFormAção, Vol. 3, Nº 5, Maio 2001)

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