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O SER HUMANO, O MONGE E O CRISTO D. Lenilson Moraes Rezende, OSB. (E-mail: lenilsonmr@gmail.com) O mosteiro é habitado por seres humanos, e o monge, como todo ser humano, possui limitações vindas da condição humana. Todos os seres humanos possuem virtudes e vícios, boas e más qualidades, bons e maus exemplos, força e fraqueza. E o monge, sendo um ser humano, também possui estas mesmas características. Mas, então, em que o monge faz a diferença? Assim como muitas outras pessoas no mundo, o monge se encontra numa busca incessante de Cristo e está sempre animado por seus exemplos e seu auxílio. Buscar e amar Cristo em tudo e em todos é a catequese diária do monge, que busca transformar-se em ser humano com quem foi intensamente e inteiramente humano: o Cristo. Bento determinou que o mosteiro deve ser uma escola do serviço do Senhor, e nela nosso mestre é Cristo. Portanto o monge deve aprender a ser gente e a ser cristão inspirado na capacidade de amar com o amor incondicional de Cristo. O monge dedica sua vida à oração, participando da liturgia diária do mosteiro e exercitando sua oração pessoal; e ao trabalho. Seja qual for o trabalho, o monge deve fazê-lo com a clareza de que o faz para Deus e para suprir as necessidades da comunidade. Outros elementos de substancial importância são o silêncio, a pobreza, a vida comunitária, a discrição e a humildade. O silêncio permite escutar uma outra voz além da sua, seja a voz de Deus ou do irmão. A pobreza é a partilha, conforme a necessidade de cada um, dos bens materiais e espirituais. A vida comunitária beneditina não deve ser entendida como um aglomerado de pessoas, como num clube, mas como pessoas que unidas buscam viver e partilhar suas riquezas pessoais. A discrição é outro elemento que consiste em buscar uma boa medida em todas as coisas, seja por palavras ou atos. E, finalmente, a humildade é que permite ao monge aceitar e amar as pessoas e as coisas como elas são. Bento escreve em sua regra: "nada absolutamente prefiram a Cristo" (RB 72). Realizar isto não é uma tarefa fácil. Exige empenho, coragem, sinceridade, responsabilidade, fé, conversão, compromisso, amor. O amor ultrapassa toda e qualquer barreira criada pela indiferença, pelo preconceito, pelo ódio. Ser monge é saber amar e isto quem ensina é o próprio Cristo. O ser humano é falível, fraco, portanto o monge também o é. Mas lembremo-nos de que ele sempre persegue a bondade humana e a ternura divina presentes no coração humano dos filhos de Deus. _________________ Ir. Lenilson estuda o primeiro ano de Filosofia no Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás, em Goiânia. (InFormAção, Vol. 4, Nº 10, Goiânia, Outubro 2002) |