|
|
|
|
D. Josias Dias da Costa, OSB. (E-mail: josiasosb@hotmail.com) Desde os tempos antigos já se falava nos tesouros da Igreja. No século III, durante a grande perseguição promovida aos cristãos pelo imperador Valeriano, o Papa Sisto II foi martirizado, após ter encarregado o diácono Loureço de distribuir os seus bens aos pobres. Lourenço, também enfrentou o martírio, no dia 10 de agosto de 258. Mas, antes, pressionado pelo imperador a entregar os tesouros da Igreja, de que ouvira falar, foi à periferia da cidade, reuniu um grupo de indigentes, levou-o até o imperador e disse-lhe: "Eis aqui os nossos tesouros, que nunca diminuem, e podem ser encontrados em toda parte". Essa preocupação com a riqueza da igreja atravessou os tempos e perdura até os dias atuais. Pequenos burgueses, normalmente omissos, utilizam-se, inclusive, do argumento de que a Igreja é rica, para não contribuir com nada. Embora tenha conhecido muitas igrejas no Norte, Nordeste e mesmo no Centro-Oeste, inclusive em algumas capitais, que não têm sequer como manter sua secretaria ou mesmo o sustento de seus sacerdotes, ainda assim não arriscaria dizer que a Igreja é pobre, uma vez que ela é possuidora de um patrimônio invejável: terrenos, templos, centros comunitários, centros pastorais, pavilhões, automóveis etc. Mas o que as pessoas incomodadas com a riqueza da Igreja não conseguem enxergar é que isso nada vale, diante da imensidão de pessoas que se utilizam desses bens. É por isso que, na hora das construções e reformas, não faltam aqueles interessados em ajudar, porque entendem que os bens da Igreja são extremamente necessários para que crianças, jovens e adultos recebam, todos os anos, além da educação religiosa, a mais ampla formação. O tesouro da Igreja é, na verdade, a soma dessas pessoas, e dele não há como abrir mão. Porque é dessas pessoas, sobretudo das mais pobres e abandonadas, que Deus se serve, para torna-las portadoras da incalculável riqueza de sua Bondade (Rm 2,4), de sua Glória (Rm 9,23) e de sua Graça (Ef 2,7), que se manifesta neste insondável tesouro que é Jesus Cristo (Cf. Ef. 3,8 e Col 1,27). |