RUBIS ENCANTADORES

 D.  Josias Dias da Costa, OSB.

(E-mail: josiasosb@hotmail.com)

Em 1953, foi erigida, na terra das rubiáceas, em Goiás, uma cidade, que levou o nome dos rubis, pedras preciosas muito vermelhas e brilhantes, que emprestaram seu nome a uma espécie de café, o ouro dos tempos da Marcha para o Oeste, que fazia pender para o lado do Brasil a balança comercial.  

Rubiataba é uma cidade nova, muito bem cuidada, com todas as ruas asfaltadas. Sua população é organizada em associações, cooperativas, sindicatos. Tudo muito parecido com os rubis cuidadosamente lapidados. 

Foi a esta cidade que me dirigi ao volante do velho Gol 92, na manhã de segunda-feira do dia cinco de março, para uma missão. Saí de Goiânia e, chegando a Anápolis, segui pela Belém-Brasília, passando pelas cidades de Jaraguá e Rialma. Ao meio-dia em ponto, eu já havia deixado a rodovia federal, quando, de repente,  avistei a cidade à minha frente, sem saber do tesouro que ela guardava. 

No fim de 2000 eu já havia estado em outras cidades dessa Diocese: Araguapaz, Povoado do Tiririca, Aruanã e Mozarlândia. Eu já havia notado o ardor, a vibração e a dedicação das pessoas e de seus sacerdotes. Mas, em Rubiataba eu descobriria um fato novo: esta cidade já forneceu à Diocese, nos últimos quinze anos, oito sacerdotes, todos eles filhos dela. E vários outros jovens, também ali gerados, se encontram no Seminário Regional, em Goiânia.

 A Igreja de Rubiataba é muito fértil de vocações. E nem por isso o seu pároco, Pe. Sebastião Romário Damas, e o reitor do Seminário Menor, Pe. Daniel Santana Valim, deixaram de convidar-me para esta missão, de uma semana, voltada para  a promoção vocacional. 

Os sacerdotes da Diocese são padres jovens, "novinhos", mas muito bem preparados. Embora diocesanos, eles têm a prática dos religiosos de fazer um ano de "noviciado".

Também o seu bispo, D. José Carlos de Oliveira, o D. Carlinhos, que conheci em 1978, antes que ele fosse agraciado com o episcopado e ainda atuava como provincial dos Redentoristas, em São Paulo, nunca perdeu a sua humildade, o seu jeito alegre de ser, e é um pastor muito querido por toda comunidade.  

Eu estive em cada uma das escolas públicas, falando com os jovens. Participei diariamente de um programa radiofônico, na Rádio Vale FM. Presidi as celebrações, em companhia do Pe. Tiãozinho ou do Pe. Daniel, todos os dias, nas igrejas sempre lotadas de pessoas fervorosas dos diversos bairros.     

Um momento muito emocionante foi o da visita ao Monsenhor Lincoln Monteiro Barbosa, com mais de quarenta anos de sacerdócio. Ele foi o primeiro pároco de Rubiataba e agora, já com muita idade e doente,  mas com serenidade e lucidez, ainda sorri quando ouve do visitante: "Ao senhor se deve a lapidação primeira destes belos rubis".  

Rubiataba! Rubiataba! Aldeia das rubiáceas! Os teus rubis são realmente encantadores! Porque tens sobre ti todas as graças derramadas dos céus com seus esplendores.     

(InFormAção, Vol. 3  Nº 3, Goiânia, Março 2001)

VOLTAR