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D. Josias Dias da Costa, OSB. (E-mail: josiasosb@hotmail.com) São Bento, nosso pai na vida monástica, nasceu em Núrsia, Itália, no início da Idade Média. Ele viveu numa época em que a Europa se encontra em franca decadência, em razão das pestes que infestavam o continente e dizimavam sua população, das constantes rebeliões de escravos e incursões dos “bárbaros” (denominação dada a estrangeiros e nômades de diferentes procedências que viviam dentro do Império Romano). Tais fatores levaram a população a fugir da cidade para o campo, onde o sistema de produção, organizado em feudos, passou a ser controlado pelos antigos senhores de escravos. Os antigos escravos deixaram de ser simples mercadoria e se tornaram os novos “servos da gleba”, mas, sem a posse da terra, ficaram sujeitos à gleba, como uma espécie de “benfeitoria” dela. Eles produziam e se transformaram na força motriz da nova sociedade feudal, enquanto que os senhores feudais, estamento que formava a nobreza, apenas usufruíam e, como não precisavam trabalhar, dedicavam-se a freqüentar festas e banquetes. São Bento nasceu no seio da nobreza, mas, no ano 500, com vinte anos de idade, almejando um sentido para a vida, desgostou-se do ócio de seus contemporâneos e viu nele um grande “inimigo da alma” (RB 48,1). Deixando-se tocar pelo Evangelho e com os olhos contemplativos de quem vê tudo com os olhos de Deus, ele fez uma virada em sua vida. Afastando-se de tudo e de todos, este santo homem descobriu, anda jovem, o antídoto para curar o terrível mal que assolava, sobretudo, a juventude de seu tempo. Esse antídoto consiste na dedicação a uma vida conjugada pela oração e pelo trabalho. Para tornar realidade o seu ideal, ele adotou a vida monástica cenobítica como modelo, pois se tratava de uma vida comunitária, disciplinada, regida por um abade e orientada por uma regra. Mas, São Bento viu a necessidade de fazer reformas nesse modelo de vida e se tornou grandiosos na história tanto pela sua santidade quanto pelo seu empenho em fazer tais reformas. Talvez a mais importante delas tenha sido aquela surgida do princípio de que o verdadeiro monge é aquele que vive de seu próprio trabalho. Com isso, além da dedicação às leituras espirituais e à oração, todos têm que trabalhar, seja qual for o trabalho: o da lavoura, da oficina, do ateliê, da cozinha, da biblioteca, da capela... A Regra de São Bento equilibra o tempo para a oração – até então exagerado – com o tempo para as atividades manuais e intelectuais. Elimina o vício da propriedade privada (RB 33,1) e suprime na comunidade a divisão de classes. As crianças devem ser educadas, os jovens ouvidos e os velhos venerados. Nos mosteiros beneditinos a disciplina é rígida, mas a compaixão, a caridade, o acolhimento e o respeito mútuo fazem de nossa vida um dom de Deus muito agradável. (InFormAção, Vol. 3, nº 8, Goiânia, Agosto 2001) |