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D. Josias Dias da Costa, OSB. (E-mail: josiasosb@hotmail.com) Este mundo é um barulho só. São aviões no ar, automóveis nas ruas, gente que conversa alto e grita, cachorros que latem. E não se iludam com o silêncio do campo. Ali os sapos coaxam na lagoa, os grilos e as cigarras fazem um barulho nada agradável aos ouvidos. Mas não é este barulho externo o pior que existe. O pior barulho é aquele que está lá no pensamento de cada um. Uma pessoa pode estar num lugar com um tremendo silêncio externo com o seu pensamento voando pelos lugares mais barulhentos: o quarto ou o salão de jantar da igreja com o aparelho de som ligado no último volume, o shopping center, o estádio de futebol com torcidas organizadas etc. Por que este é o pior barulho? Porque é este que nos impede de apreciar o ambiente e o momento em que estamos. Ele nos coloca num estado de afastamento antropopsíquico, de tal forma que podemos entrar numa sala de aula para estudar e não estudamos, entrar numa igreja para rezar e não rezamos, entrar num local com belíssimas paisagens para serem apreciadas e não apreciamos. Este barulho nos impede de escutar o que nos está sendo dito pelo texto que lemos, pelo contexto em que situamos e pelas pessoas que nele vivem. Não é por nada que São Bento escreveu uma Regra começando-a pela palavra-chave "escutar". Diz ele: "Escuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração..." (RB, Prólogo). Ou seja, escuta não somente com os ouvidos, mas coloca as palavras do Mestre lá no interior do seu ser. O mundo, hoje, como nunca, necessita de verdadeiros adoradores do Pai, ou seja, de pessoas capazes de escutá-Lo. Mas, escutá-Lo não somente para seu próprio deleite, e sim para fazer o que Ele prescreve. Por isso São Bento, continuando o texto da Regra, diz, em seguida, duas outras palavras-chave: "receber" e "executar": "... recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai...". São Bento atravessou os tempos e chegou aos nossos dias com uma proposta de militância sob o Cristo Senhor, que nos convida e nos mostra "o caminho da vida", aquele caminho que nos leva a ver "dias felizes". A "escola de serviço do senhor" construída por este grande santo continua com a matrícula aberta aos jovens de hoje que queiram "dilatar o coração" neste caminho de amor que constitui a vida monástica. Esta "escola" ensina a todos a manejar os variadíssimos "instrumentos das boas obras"; a exercitar a prática da obediência, do silêncio e da humildade; a orar, a cuidar bem das coisas, a tratar as pessoas com reverência, a venerar os mais velhos, a ouvir os mais moços, a acolher bem cada pessoa etc. Ensina tudo aquilo que falta neste mundo barulhento e tão sedento de ouvidos para escutar. (InFormAção, Vol. 2 Nº 6, Goiânia, Junho 2000) |