SÓ QUERO MESMO É AGRADECER

 D.  Josias Dias da Costa, OSB.

(E-mail: josiasosb@hotmail.com)

 

Sempre que vou escrever um artigo, fico pensando por algum tempo, que pode ser de alguns minutos, algumas horas ou alguns dias. Eu me ponho a matutar durante a refeição, durante uma viagem, e o tema começa a surgir naturalmente. Não gosto muito quando alguém me pede para escrever um artigo com tal tema e para tal dia, muito menos "para amanhã", embora nunca tenha negado a fazê-lo. Quando escrevo, normalmente, tudo já está pensado, ou seja,  já tenho o artigo escrito mentalmente. Depois de digitá-lo, se não ficar satisfeito, deixo tudo de lado para escrever sobre outro assunto.

 

Agora que as férias de julho chegaram ao fim e temos o início de mais um semestre, eu tomei a decisão de não pensar em assunto algum para esta coluna, pois quero todo este espaço para agradecer a todas as pessoas que estão envolvidas com a vida monástica: aos meus irmãos monges que, como eu, tentam fazer crescer a comunidade; aos benfeitores, que nos ajudam financeiramente tornando possível nosso projeto de formação, tão necessário à nossa sobrevivência e ao nosso crescimento; e, finalmente, aos que, de outra forma, manifestam seu amor por nós, expressando seus desejos em ver muitos jovens emitindo os seus votos monásticos e  recebendo o sacramento da ordem.

 

As palavras não expressam toda a gratidão que há em nosso coração a estas pessoas amigas - as que incentivam os jovens a buscar a vida religiosa consagrada; as que mostram a esses jovens o valor da vida monástica beneditina; as que rezam sempre pelas vocações, cumprindo o mandamento vocacional que o Senhor Jesus nos deixou (Cf. 10,2); as que tiram de seu rebanho um animal tão necessário à sua vida, levam-no ao matadouro e enviam toda a carne para nós; as que doam os frutos de seu trabalho mandando-nos um pouco de arroz, feijão, óleo, farinha, polvilho, açúcar, doces caseiros; as que pedem e confiam em nossas orações; as que ajudam os jovens em seus gastos pessoais: transporte, livros, roupas, dentista etc.; as que nos honram com a sua visita; e, finalmente, as que nos escrevem, dizendo que lêem o nosso boletim, comentando algum assunto, elogiando ou dando sugestões.

 

Eu me lembro de um garoto, de uns dez anos, de nome Gabriel, que disse, após ler o nosso balancete financeiro: "Vovó, só sobraram três reais para eles!". E, desde então, a avó daquele garoto, nunca deixou de contribuir conosco.

 

Em maio começou o plano de racionamento de energia imposto pelo governo brasileiro. Pouco temos o que economizar, pois tudo o que o governo quer já vínhamos fazendo. Sempre estamos dizendo aos rapazes para não esbanjar nada, pois tudo o que temos é fruto do trabalho  dedicado dos monges e das pessoas que tiram do que lhes é necessário para partilhar conosco, tornando nossos sonhos de expandir o carisma beneditino também os seus sonhos. No Mosteiro, nós estamos reverenciando a cada pessoa que nos ama, a cada benfeitor ou benfeitora que nos ajuda, quando, como São Bento deseja (Cf. RB 31,10; 53,1), cuidamos de tudo como "vasos sagrados do altar" e tratamos a todos como se fossem  "o próprio Cristo".

 (InFormAção, Vol. 3  Nº 7, Goiânia, Julho 2001)

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