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D. Josias Dias da Costa, OSB. (E-mail: josiasosb@hotmail.com) Em nossa música popular e, muito mais, em nossa música sertaneja, ouvimos, a todo o momento, falar de mor. Também a literatura, o cinema, a televisão e o rádio fazem do amor o tema mais requisitado. Mas, que amor é este retratado pelos compositores, literatos, cineastas, novelistas e outras pessoas que atuam nos meios de comunicação social? Os gregos, na Antigüidade, se utilizavam de três termos, com significados diferentes, para expressarem aquilo que, em nossa linguagem temos uma única palavra: AMOR. Vejamos: eles chamavam de erwx (eros) o amor humano, sensual, erótico. Trata-se de um amor em que uma pessoa se relaciona com a outra buscando principalmente a satisfação dos próprios desejos. Quando um homem ama uma mulher ou vice-versa, com este tipo de amor, um faz do outro um meio ou um objeto através do qual os seus desejos serão satisfeitos. Esse tipo de amor egoísta envolve paixões muito fortes que, em pessoas com uma personalidade desestruturada, podem levar a situações muito perigosas. Indivíduos imaturos, com sentimentos de inveja ou ciúme, não querem perder a pessoa “amada”, que na verdade é a "escora" ou o "sustentáculo" que o outro, enquanto "coisa", se tornou para elas. Mas há um outro tipo de amor existente entre amigos, irmãos e pais e filhos, caracterizado por uma afeição profunda e gratificante, que as pessoas já trazem ao nascerem e que tem suas raízes no coração e na sensibilidade. A essa afeição os gregos davam o nome de filox (philos). Philos é um amor também interesseiro, pois quem ama os pais, os filhos, os irmãos ou os amigos, querem deles a retribuição. Um ama o outro, mas com a exigência de que o outro também manifeste o seu amor. Estas duas formas de amor, embora diferentes, têm em comum o fato de serem ambas próprias da pessoa humana. São formas que o ser humano pode atingir com grande facilidade, sem maiores problemas, embora possa ter que enfrentar grandes complicações, também por deformações de personalidade e diferentes patologias que levam à verticalidade de certas relações e a sentimentos e comportamentos possessivos. Por fim, há um terceiro tipo de amor que é aquele que eleva o ser humano a uma dimensão universal. É o agaph (ágape), um amor que não tem origem nos sentimentos nem nas emoções e muito menos está sujeito aos limites dessas manifestações humanas. Este amor, embora fruto da vontade e da liberdade humana, é a manifestação do próprio amor de Deus. Ele escapa às nossas próprias forças. Foge às nossas capacidades. É o amor gratuito, dado ao outro mesmo que ele não tenha merecimento, por ser às vezes o nosso inimigo. É com este amor que Jesus nos ama. É com ele que fazemos transbordar os nossos corações. E é este amor que levou o Cardeal Edward Egan, de Nova Iorque, a condenar firmemente a vingança e a retaliação e a defender a justiça diante das agressões sofridas pelo povo dos Estados Unidos, no último dia 11 de setembro. (InFormAção, vol. 3, nº 10 Goiânia, Outubro 2001) |