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D. Josias Dias da Costa, OSB. (E-mail: josiasosb@hotmail.com) Deus nos faz um chamado irresistível à vida. Viver é nossa vocação mais fundamental. Na Bíblia encontramos como se deu este chamado: Deus nos modelou a partir do barro, soprou em nossas narinas e nos comunicou a vida. (Cf. Gn 2,7). Nós podemos dizer, numa linguagem poética, que somos o "sopro de Deus". Luiz Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha, na belíssima música "O que é o que é?", coloca como possível resposta à pergunta "E a vida, o que é?" o seguinte: "É o sopro do Criador, numa atitude repleta de amor". Mas, nós não só somos chamados à vida. Viver é também um direito nosso. E esse direito é inalienável. Quando nascemos, ele já vem impregnado em nosso ser. Ele não vem por decreto de governos, por concessões de grupos e nem mesmo por decisões democráticas da maioria. É o direito de um mesmo que contra a vontade dos demais. Não é por acaso que nos últimos duzentos anos, vem sendo firmada e reconhecida, no mundo, uma noção muito importante para todos, que é a noção de Direitos Humanos. As constituições das nações ocidentais e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU, afirmam com veemência: "Todos têm direitos à vida". E os outros direitos firmados, sejam individuais ou coletivos, econômicos, políticos, sociais ou ambientais, têm relação com este direito mais fundamental, pois ninguém pode ter uma vida nas condições humanas sem que haja liberdade, livre expressão do pensamento e da crença religiosa, trabalho, alimentação, saúde, educação etc. A cada direito firmado corresponde um dever. Assim, nós temos direito à vida, mas temos também o dever de viver, de proteger e fazer a vida crescer e desabrochar. Por isso, precisamos viver a vida cristã, que é um processo de crescimento da vida. Teilhard de Chardin chegou a afirmar que este processo é irreversível dentro da História. É um processo de convergência para o ponto central, que é o Cristo (Cf. CHARDIN, Homem, Mundo e Deus). Com a vida cristã nós combatemos a morte e tudo o que se torna uma ameaça ao crescimento da vida no mundo. O cristão ama a vida e com seu amor ele contribui para esse crescimento (Cf. Erich FROMM, O coração do homem). E o amor constitui-se como única solução sã e satisfatória aos problemas da existência humana (Cf. FROMM, A arte de amar). Jesus instituiu uma lei que o mundo precisa ainda conhecer: "Ama o teu próximo como a ti mesmo" (Mc 12,31). Pois, quem não ama dessa maneira, nunca chega a ser adulto. O egoísta, o narcisista, o invejoso, o ciumento, com suas mães devoradoras, vêem a vida como algo odioso. O mundo é para eles algo que gira em torno de seus próprios umbigos. O seu prazer consiste em possuir coisas. Mesmo as pessoas, eles as transformam, com seus olhares medúsicos, em coisas. Fazem delas seus objetos. Eles não sabem amar, mas sim usá-las, manipulá-las, fazer delas sua escora, seu trampolim. Os Santos e pessoas como Gandhi, Albert Schweitzer, João XXIII, Martin Luther King, Irmã Dulce, Herbert de Souza etc., e os nossos irmãos D. Mathias Schmidt e D. Eric J. Deitchman, são exemplos de pessoas que viveram intensamente a vida cristã. (InFormAção, Vol. 2 Nº 11, Goiânia, Nov. 2000) |