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D. Josias Dias da Costa, OSB. (E-mail: josiasosb@hotmail.com) Houve uma época em que Deus não agüentou mais ficar vendo o seu povo escravizado, oprimido, massacrado e humilhado no Egito, a nação mais poderosa do mundo naqueles tempos, por isso Ele saltou das alturas para fazer a sua Pessach. Pessach, traduzida para nossa língua como Páscoa, é uma palavra hebraica que significa Passagem. Deus fez a sua Pessach da seguinte forma: Ele passou pelo meio de seu povo oprimido. Mas Ele quis dar uma vazão a esta passagem. Ele quis que também o povo realizasse a sua Pessach que consistia em romper com a escravidão e caminhar para a liberdade. Deus exigiu que seu povo fizesse uma passagem nada fácil. Primeiro porque haveria a oposição do faraó e de seu poderoso exército. Mas isso não seria o mais difícil. O mais difícil seria lidar com a liberdade, assumir as responsabilidades que ela proporciona, fazer escolhas, tomar decisões e enfrentar as suas conseqüências. O caminho do Êxodo que leva à saída do jugo de todas as tiranias, em qualquer lugar e em qualquer época, é um caminho difícil, pois os indivíduos, quando massificados, se acostumam à escravidão. Todos querem a liberdade, mas diante das dificuldades que esta lhes proporciona, eles se voltam ao passado (cf. Nm 11,5). O indivíduo massificado escorrega-se, facilmente, como diz JUNG, "com leveza e sem dor para a terra das crianças, sob a proteção dos pais, livres de qualquer responsabilidade e preocupação" (Carl G. Jung, Presente e futuro, Petrópolis, Vozes, 1988, p. 27). Para esse indivíduo é mais cômodo sujeitar-se à tirania, sempre imoral e perversa, daqueles que se sentindo donos de tudo e de todos, irão transformar a sua liberdade em escravidão física e espiritual. Depois da passagem de Deus que culminou no Êxodo, Deus resolveu dar outro salto até nós, para uma nova Pessach. Em Cristo Ele assumiu a nossa humanidade em carne e osso para conosco sorrir, vibrar, chorar, se angustiar, sofrer e de modo esplendidamente misterioso morrer pregado numa cruz, derramando sobre o mundo um amor tão grande que o abarca por completo. A morte de Jesus deixa o mundo abalado, uma vez que a conhecendo ele estraçalha o poder das trevas, liberta a todos os que aguardam o dia feliz da salvação e retorna à vida, fazendo brilhar a sua luz sobre todos os que crêem na força da Ressurreição. A Páscoa de Cristo é a passagem das trevas para a luz, da morte para a vida. Esta passagem é a demonstração grandiosa do amor que Deus tem por nós. E o Cristo, "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29), quis também dar vazão a esse amor, para que ele chegasse até nós. Para isso ele escolheu o Pão e o Vinho e transformou-os em seu Corpo e seu Sangue, para que a sua passagem pelo mundo se tornasse presente em todas as épocas. Todo ano, no domingo após a lua cheia do primeiro equinócio, celebramos a Páscoa do Senhor. Mas todos os dias e a todo o momento o Cristo ressuscitado espera que aconteça a nossa Páscoa, ou seja, a travessia de todas as situações de escravidão, trevas e morte – injustiça, falsidade, egoísmo, inveja, ciúme, fanatismo, ódio etc. – para as situações que geram vida – justiça, retidão, verdade, solidariedade, alegria, ternura, paz, esperança e amor. (InFormAção, Vol. 4, Nº 3, Goiânia, Março 2002) |