VOCAÇÃO - OS GRANDES CHAMADOS II

 D.  Josias Dias da Costa, OSB.

(E-mail:  josiasosb@hotmail.com)

Nas sagradas escrituras encontramos entre os belíssimos relatos vocacionais, o do profeta Jeremias (cf. Jr 1). Jeremias era de família sacerdotal e sentiu o chamado de Deus ainda muito jovem.  "Antes de te formar no ventre materno, eu te conheci... eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações". O jovem vocacionado fica assustado, sente-se incapaz. Mas Deus vai aos poucos lhe mostrando que o seu chamado é para valer: "... a quem eu te enviar, irás, e o que eu te ordenar, falarás". Deus reservou-lhe uma missão difícil e complicada: "Eu te constituo, neste dia, sobre as nações e sobre os governos, para arrancar e para destruir, para exterminar e para demolir, para construir e para plantar". O profeta terá que enfrentar a fervura da desgraça derramada sobre o mundo. Por isso ele terá que vencer o medo e confiar em Deus. Pois é Deus quem porá as palavras em sua boca  e estará com ele para salvá-lo. Deus mostra-lhe a sua força: "...eis que te coloco, hoje, como uma cidade fortificada, como uma coluna de ferro, como uma muralha de bronze, diante de toda a terra". E o profeta Jeremias embebeu-se da força de Deus e tornou-se um profeta corajoso, desgostando a própria família, para servir a Deus.

Antes dele, Amós, um camponês que vendia os seus produtos na feira, e Isaías, um homem rico e muito influente no governo, descobriram o chamado de Deus, de maneiras diferentes, mas, ambas cercadas de muita beleza. Amós sentiu o chamado irresistível de Deus (cf. Am 3,3-8) e tornou-se um profeta (cf. Am 7,10s).  Da mesma forma, Isaías (cf. Is 6) ao se encontrar com Deus, enxergou toda a sua iniqüidade e colocou-a diante de Deus, procurando se libertar dela. Após a libertação, Deus lhe fez uma pergunta interessante: "Quem hei de enviar? Quem irá por nós?". E a resposta de Isaías foi: "Eis-me aqui, envia-me a mim". E daí surgiu um grande profeta, um homem cheio de coragem para levar ao povo a palavra de Deus (cf. Is 10).

Outro belo relato vocacional é o que diz respeito ao chamado de Maria para ser a Mãe da segunda pessoa da Trindade (cf. Lc 1). Maria foi chamada, também muito jovem, e não entendeu a grandeza do mistério que estava para acontecer. Mas fez perguntas e buscou as respostas.  Deus lhe esclareceu aos poucos as coisas e em toda a sua vida ela disse SIM ao serviço de Deus: quando houve o anúncio (cf. Lc 1, 38), quando foi perseguida (cf. Mt 2,13-18) e quando viu alguém necessitando de solidariedade, como Isabel (cf. Lc 1,39), os noivos de Caná (cf. Jo 2) e o próprio filho abandonado por quase todos (cf. Jo 19,25).  Ela foi uma mulher cheia de fé, de graça e de glória;  teve uma enorme coragem e muita consciência das coisas, além de manter sempre a bela virtude da humildade (cf. Lc 2,39-55). Deus precisava de uma mulher assim para conceder o maior mérito dado a uma pessoa humana: o da maternidade divina. Não é à toa que essa mulher, que tanto nos apontou para o Filho  - "Façam tudo o que ele mandar" - tem, diante da cruz, o seu Filho apontando-a para nós: "Filho, eis aí a tua mãe". E que mãe tão atenta e tão bela nós temos!

(InFormAção, Vol. 2  Nº 8, Goiânia, Agosto 2000)

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