VOCAÇÃO - OS GRANDES CHAMADOS III

 D.  Josias Dias da Costa, OSB.

(E-mail:  josiasosb@hotmail.com)

 

Nas missões que venho fazendo por este Brasil afora, tenho respondido às mais variadas perguntas sobre a vida religiosa consagrada e sobre a vida sacerdotal. Algumas dessas perguntas dizem respeito à vida passada dos candidatos. Certas pessoas pensam que os padres são pessoas santas, perfeitas, que vieram "de outro mundo".  Por causa disso os jovens candidatos têm que ser  uma espécie de "Super-Boys".                     

Eu tenho que responder a estes jovens que nós somos pessoas humanas, limitadas e que, por isso, não estamos isentos de buscar de santidade. Tenho que mostrar-lhes que, mesmo entre os Apóstolos, constituídos por Jesus como verdadeiras colunas da Igreja, alguns tinham a cabeça dura, outros o "estopim curto", nem todos eram bem aceitos pela sociedade,  não faltavam os que tinham dificuldades para crer e nem mesmo os que tinham um gênio difícil de entender. 

Jesus não encontrou um time de pessoas perfeitas para formar a sua Igreja. Ele encontrou pessoas normais, como nós. E a elas é que dirigiu este chamado: "Segue-me".  E foram elas que disseram "sim" ao chamado de Jesus. Colocaram-se à sua disposição para serem instruídos, moldadas por ele e, depois disso, enviados ao serviço do Reino de Deus.  

Ao longo da História da Igreja tivemos exemplos grandiosos de pessoas que mudaram o rumo de suas vidas para servir a Deus. Eis alguns deles: 

· Agostinho, um jovem que passou anos em busca de um sentido para a sua vida. Até que um dia o bispo Ambrósio, de Milão, um homem sábio e dedicado ao serviço dos mais pobres, conseguiu tocar-lhe o coração.

· Bento, um jovem que abandonou os estudos de direito, em Roma, e, com o "coração dilatado", saiu ao encontro de Cristo, encontrando na vida monástica o meio ideal para viver o Evangelho de Jesus Cristo.

· Francisco de Assis, um jovem cavaleiro, preparado pela família para receber o título de nobreza e que, de repente, deixou tudo para seguir ao Cristo, fazendo-se irmão de todas as criaturas de Deus.

· Inácio de Loyola, um militar aguerrido, Afonso de Maria Ligório, um advogado brilhante, e João Bosco, um homem indignado com a gritante pobreza de Turim, são alguns homens que responderam ao chamado de Deus e se tornaram grandes santos.

· Angelo Roncallli é um outro grande exemplo a ser lembrado. Ele nasceu na roça, de uma família de meeiros e, ainda muito jovem, sentiu-se chamado ao sacerdócio.  Como padre e depois como bispo, dedicou-se ao serviço dos oprimidos e sobretudo das vítimas de duas guerras mundiais, provocadas, neste século XX, pela estupidez dos poderosos. Ocupando cargos de diplomacia, foi grande negociador da paz e incansável promotor da concórdia entre as diferentes religiões. No dia 20 de outubro de 1958, com 76 anos, foi escolhido Papa e escolheu o nome de João XXIII. Seu pontificado durou apenas quatro anos, mas foi o tempo que lhe bastava para convocar, sob a inspiração do Espírito Santo, o Concílio Vaticano II, dar uma chacoalhada tão forte na Igreja e provocar as tantas mudanças, que fizeram dele um marco para a nossa história.  

O mais importante é que o mesmo chamado que Deus fez a estes homens, Ele continua fazendo aos jovens de hoje, aguardando de cada um deles uma resposta.

(InFormAção, Vol. 2  Nº 9, Goiânia, Set. 2000)

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